O Interior: um lugar de futuro?

21:29

É com imensa tristeza que assisto ao espectáculo degradante que o país nos apresenta. Não comprei bilhete, não coopero com quem o organiza e encena mas obrigam-me a falar porque é de Portugal que se trata, do país que sempre me ensinou – e a tanta gente mais -, através da História, dos homens, dos feitos, que defender o país devia ser a primeira prioridade, entregar de forma igual as muitas oportunidades, não beneficiando uns em detrimento de outros. Um país dividido não consegue avançar, a barreira de separação é cada vez mais densa, o fosso que existe entre o litoral e o interior é cada vez mais difícil de aproximar. É esta a consequência de muitas das medidas que têm sido adoptadas ao longo dos anos e que têm contribuído para a imensa desertificação, pela falta de empregos, pela falta de infra-estruturas, pela falta de condições e de oportunidades, em suma, pelo esquecimento de que tem sido alvo constantemente. Não se consegue lutar contra os males dos outros, quando se insiste em praticá-lo, quando se fecham os olhos e se lavam as mãos, quando muito se fala mas pouco se age.

Parece-me demasiado presunçoso achar-se que o bom e o melhor tem de ir para os grandes centros urbanos, parece-me demasiado egoísta a não partilha igualitária de recursos por todo o território nacional. Enfim, fala-se sem que quem deva ouvir o faça, fala-se sem que os dirigentes se sintam responsabilizados. Mas como? Como se 45% da população portuguesa se concentra nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto?  Como se o emprego escassa, se a mobilidade não responde às necessidades, como se não se criam as condições precisas para que os jovens se possam fixar? Como se a população se sente obrigada a migrar para Lisboa ou para o Porto porque não encontra no interior um lugar atractivo, um lugar de futuro? Como? Eis a questão. 

O Movimento pelo Interior, que tem tido a coragem que tanto falta ao Governo, tem sido bastante claro no que tem promovido e sugerido, mais, tem sido extremamente pragmático e realista que é o que urge nesta questão. Está disponível o relatório final e vale a pena a leitura. Da minha parte deixo o meu agradecimento a quem teve a coragem de avançar e de trabalhar pelo interior. As medidas que propõem pedem agilidade, prontidão, e coragem. Sim, os portugueses não pedem impossíveis, pedem medidas exequíveis que resultam da boa gestão de recursos, pedem coragem, pedem acção. O meu agradecimento enquanto cidadã portuguesa que se sente movida pela causa porque não se conforma com a desigualdade e porque gosta demasiado de Portugal para o ver assim esquecido. E ter um blogue sobre Portugal sem falar disto não fazia sentido. Aliás, faria de mim alguém esquecido e alheio à realidade. Continuar a escrever Portugal será parte do caminho. 



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