Amêndoas de Licor

09:30

Os meus avós são e continuarão a ser motivo de muitas palavras. Até porque são deles que nascem as memórias mais doces. 

Gosto de amêndoas de licor desde que me lembro, desde que todos os anos me esperava um saquinho branco de papel cheio delas. Lembro-me, especialmente, de estar cheio de bebés, de feijões e de ervilhas. São muitos os motivos e as figuras, piriquitos, maçãs, tremoços, azeitonas, leitões e até há várias qualidades de feijão: feijão fradinho, feijão canário, feijão carmim graúdo e feijão carmim miúdo. Umas mais fáceis de pintar e de decorar, outras mais complicadas. Os bebés, os londrinos e os cantis são dos mais trabalhosos, as cenouras são mais simples e o Henrique até experimentou. 

É um mundo delicioso para descobrir, principalmente quando são as bordadeiras que lhes dão cor e vida, um trabalho feito de detalhes e de paciência, um trabalho de muitos anos, já se contam 84 desde que a Arcádia nasceu e desde que o fundador trouxe de Paris a receita para Portugal. A sua técnica artesanal é única no mundo e para mim, e para lá da gulodice de criança, são memórias vivas, são dias felizes, saudades grandes e um coração que, sempre, lembra e escreve. 














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