Lamego

19:23


Da carteira tiro o meu caderno que nunca me larga. Os meus passos lentos guiam-me para não sei onde, os meus olhos suspensos no ar e tudo à volta me dá as boas-vindas. 

Acabo sempre à conversa com quem se dispõe a entregar a sua cidade, a contá-la a quem por ali passa, para que nunca se perca e para que a cidade chegue a todo o Porto. É o Sr. Sérgio. A conversa começa e recomeça, aqui bem no meio da Av. Dr. Alfredo de Sousa, com o Santuário de frente para nós, a espreitas pelas árvores que enchem as laterais desta avenida. O tempo passa e o meu caderno enche-se da minha letra tremida e imperfeita que tenta guardar pequenas histórias, curiosidades, datas e nomes. O presunto e o cabrito assado deixam rastos de sabor pelas linhas onde são servidos, a procissão da Senhora dos Remédios vai de linha em linha, puxada a bois até ao cimo das margens. Os monumentos erguem-se nos rabiscos e nas palavras rasuradas e a Sé de Lamego perde-se nas letras mais antigas. Já no início de uma nova página ouvem-se fortes aplausos da aclamação nosso Primeiro Rei de Portugal, nas famosas cortes de Lamego. No parágrafo seguinte e para festejas o que calha bem é um copo de vinho da região que brinda à Cidade de Lamego e a todos os que, tal como o Sr. Sérgio, a trazem no coração. 


E quando, por fim, me sento e abro o caderno no meu regaço, vejo uma cidade em rabisco, palavras soltas e outras que ficaram por escrever. E de repente, vejo-as a voar, em liberdade no papel,formando frases, músicas e paisagens verdes. 








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