Vale a pena parar

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Hoje estou aqui. É verdade que sempre gostei de estações de comboio mas desta gosto muito especialmente. Histórica e única. É a Estação de São Bento no Porto.

Os famosos painéis de azulejos são o pano de fundo da estação e das vidas que por aqui passam. As pessoas correm, de lá para cá, para não perderem o tal comboio. Tem mesmo de ser aquele. O outro vem tarde de mais e já não serve.

Sento-me e espero que o comboio chegue. Olho para o relógio e ainda faltam alguns minutos. Estou confortável. De malas nos pés e de braços cruzados, olho à minha volta. Vale a pena parar um segundo e reparar. Uns correm, outros tentam ainda comprar o bilhete, outros riem-se a olhar para o telemóvel, outros estão perdidos e outros, tal como eu, estão sentados nos bancos verdes que se espalham pela estação. Vale mesmo a pena parar. Vale a pena parar porque a vida não pára. Uns correm para não perderem a pessoa que tanto gostam e outros aguardam pelo mesmo comboio de todos os dias, ansiosos por chegarem a casa. Lá vão os outros que perderam a paciência e os outros que esperam um simples milagre. Ali estão os que trazem a alegria no peito e a vida nas mãos e ali os que resistiram à doença. Olha! Estão ali os que não têm rumo e os que trabalham sem parar. Lá vão os outros que têm filhos pequenos e os outros que já têm netos a quem contar histórias. E aqui estou eu. Eu e a Rita. A Rita está sentada no mesmo banco que eu e adora andar de comboio. Diz que as viagens são a forma de se abstrair da agitação que está para lá das portas e de se concentrar em si e naquilo que mais precisa. O comboio chegou, vamos partir. Vale a pena parar e reparar. Vale a pena parar porque o comboio não pára. 












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