Uma pérola

17:00

A Pérola do Bolhão vale milhões. A sua fachada atrai muitos turistas, que se deixam entrar e deslumbrar. 


Lá está o Senhor Reis, no seu lugar de sempre, com o seu ar desconfiado mas tão sabedor. Conhece os cantos da casa e ocupa o lugar que antes fora do seu pai. Desde 1917 que a sua Pérola inunda a baixa do Porto. "O que vai ser menina?" diz o Sr. Reis. "Vim só para conhecer e para poder dar a conhecer." atrevi-me a dizer. Lá lhe expliquei a minha intenção e logo de seguida me contou o quão antiga e tradicional era a sua tão preciosa Pérola. Foi criado ali e desde pequeno que aprendeu o que é a vida de comerciante. O seu pai foi um dos grandes que a cidade do Porto já conheceu, e o seu orgulho por ele não tem fim. Contou-me, que certo dia, quando ele ainda era pequeno e a mercearia era gerida pelo seu pai, a Pérola conseguiu arranjar uma qualidade de bacalhau raríssima (inglesa se não me engano) que muito dificilmente era encontrada em Portugal. O bacalhau tão cobiçado decorou a montra, enfeitado com muitas notas verdadeiras à sua volta. No centro estava um pequeno letreiro que dizia "Quem tiver um igual fica com este dinheiro.". Todos paravam para olhar a montra, era uma fila sem fim. Não sei o que os atraía mais: se o bacalhau ou se o dinheiro. Talvez um dia fiquemos a saber. 

Confidenciou-me também que só deixará a Pérola do Bolhão quando for obrigado a ir para o cemitério. Não consegui deixar de rir e de reparar na alegria profunda que ele sentia ao dizer isto. 

Na Pérola só se fala português. É a linguagem da alma e da tradição. 











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